Geográfica

 

Barcelos

Barcelos é uma cidade portuguesa no Distrito de Braga, região Norte e sub-região do Cávado, com cerca de 20 625 habitantes.

É sede de um município com 378,7 km² de área e 120 391 habitantes (2011), subdividido em 89 freguesias, sendo o concelho com maior número de freguesias em todo o país. O município é limitado a norte pelos municípios de Viana do Castelo e Ponte de Lima, a leste por Vila Verde e por Braga, a sueste por Vila Nova de Famalicão, a sudoeste pela Póvoa de Varzim e a oeste por Esposende.

Aproximadamente no ano de 1177, Barcelos pelas mãos de D. Afonso Henriques recebeu a carta de foral e em 1227 a cidade começava a chamar mais população. Já em 1928, Barcelos foi elevada à categoria de cidade.

 

 

 

Barcelinhos

Barcelinhos é uma povoação urbana, que integra a cidade de Barcelos, assente em terrenos de encosta, formando contínuos socalcos reclinados sobre a margem meridional.

Oferece-nos uma paisagem urbana nas imediações da ponte velha, à qual chamam, ora romana, ora medieval, parte esta que integra a chamada zona histórica da cidade de Barcelos. O carvalho e a Nossa Senhora da Ponte, situado, respetivamente, à direita e à esquerda da entrada em Barcelinhos, pela ponte, integram o conjunto das armas heráldicas da Terra, desde o séc. XVI (Sampaio:1932, p.60).

Oferece-nos ainda uma bem maior zona urbano-rural, onde ainda marcam presença algumas das suas quintas.

Quanto ao Rio Cávado, o tempo e o espaço são o seu leito e as suas margens. Com as suas lendas e mistérios, com as suas esperanças e medos desentranha-se em dádiva generosa de vida, sempre nova, e assume-se como memória cultural das suas gentes através de milénios. Nas suas margens afloram ainda esqueléticas esculturas de antigos açudes com azenhas e moinhos, engenhos de pesca e de gramar linho, em ruínas, entre silvados e densa vegetação, em Vessadas, Mereces e Medros.

 

 

 

Social

 

Classes sociais

Em 1868, escreveu António Carvalho Costa in Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, que Barcelinhos possuía alguns fidalgos, muito nobres e os melhores letrados da província. Dos registos que se podem consultar no livro Santo André de Barcelinhos – o difícil equilíbrio de uma população, entre 1831 e 1910, chega-se à conclusão que haviam 21 chefes de família naturais ou residentes em Barcelinhos, do sexo masculino, cuja profissão referida era a de criados: da lavoura, do açougue, de cozinha, criado que acompanha o tabelião ou licenciado. Na maior parte dos casos as profissões dos patrões não são referidas, mas consta nos registos: 2 licenciados, um desembargador, 2 marchantes, 2 escreventes e 1 procurador.

 

Influência das migrações

Na sua primeira Carta Foral, outorgada por D. Afonso Henriques, ao começar a segunda metade do Século XII, entre 1156 e 1169, diz-nos que os Habitantes de Barcelos viveriam do trato do comércio e da almocreveria. Informa também que os seus moradores tinham que fazer com suas bestas fossado até Tui, Bragança, Trancoso e Coimbra (daí a designação Monte dos Burros, terreno maninho, inculto e de passagem obrigatória oferecia as melhores condições para o pasto e descanso dos referidos animais, ao Lado da travessia a vau, para a outra margem do rio).

À via Romana e a passagem a vau sucederam-se a Barca de Passagem, e depois a ponte com os Caminhos Medievais, também Caminhos de Santiago.

 

 

Económica

Nas margens do Rio Cávado se instalaram e desenvolveram sucessivas vagas de povoadores, desde os tempos pré-históricos. Em 1932, o Vigário João Gomes referia, fundamentalmente, três vertentes económicas deste povo. Apresenta-nos a pesca no rio, com a existência de duas pesqueiras, uma em S. António, outra na ponte. Refere ainda a moagem e a agricultura, e já nessa data, algumas lojas de comércio, como lojas de fazenda, mercearias e tabernas.

No presente a população ativa de Barcelinhos distribui-se desigualmente pelos diversos sectores de atividade. A maior parte trabalha no sector terciário, dentro do esquema de mudança em curso.

 

Religiosa

Na Região em que Barcelos se insere predomina a prática do catolicismo cristão. Com bastante praticantes, as tradições religiosas fundem-se com os costumes do povo. É de salientar as romarias com a sua vertente religiosa, como por exemplo as procissões, e a popular com os arraiais que animam as noites, principalmente do Verão. Comemora-se com bastante fé a Páscoa, com a tradição da visita do compasso. O Natal é também bastante comemorado com atos religiosos como é exemplo a missa do galo. A devoção mariana leva, em várias localidades, milhares de pessoas, em peregrinação até às ermidas em honra de nossa senhora. Destaca-se a Peregrinação da Senhora da Franqueira, que ocorre no segundo Domingo de Agosto, em que participam a maioria das freguesias do arciprestado. A passagem desta peregrinação por Barcelinhos é notória e repleta de simbolismo, com um tapete colorido alusivo aos temas religiosos, na principal rua da freguesia.

Em Barcelinhos comemora-se ainda o dia do Padroeiro, Santo André com uma tradicional fogueira e magusto no dia 29 de Novembro.

O Feriado Municipal é também religioso, no dia 3 de Maio celebram-se as Festas em Honra do Senhor Bom Jesus da Cruz, envoltas em cerimónias religiosas, e também com uma vertente etnográfica e de preservação dos costumes significativa.

 

 

Outros—História de Barcelinhos

 

A toponímia das freguesias, para além da evolução fonética das palavras, sofreu alterações significativas através dos séculos, tanto por anexação como por substituição de topónimos. Em Bar-celos-cidade, por exemplo, ” a freguesia então dita de S. Pedro de Barcelos cedeu este topónimo a Santa Maria de Barcelos quando esta foi criada e se tornou freguesia independente, após a concessão de foral por D. Afonso Henriques, 1156-1169, e adotou o de Vila Frescainha, já usado pela freguesia limítrofe de S. Martinho”. O topónimo da nossa freguesia passou por um fenómeno de regressão dado que o topónimo primitivo, depois de ter estado esquecido durante um tempo bastante longo, volta a usar-se sozinho, como a princípio. Originariamente, a freguesia aparece designada por Santo André de Barcelos. O Censual do século XI, e seguintes, ao enumerar os templos e as vilas ou povoações cristãs que existiam e perduraram até a elevação do bispo D. Pedro, em Maio de 1071, referem, sob o número 28, a freguesia de Santo André de Barcelos. Depois, ao tratar a organização económica da diocese e ao descrever o Património Fundiário da Sé de Braga entre 1071 e 1099 reitera-se a informação ao dizer que a Sé de Braga adquiriu por doação , em 3 de Agosto de 1073, três herdades, as vilas de Egelanes, de Rial e de Barcelos, sitas na freguesia de Santo André de Barcelos , sendo doador Afonso Nantemiriz, “doação com reserva de usufruto e com outras condições”: De Sancto Andrea de Barcellos, 1073, doação das villas Egelanes et Rial et Barcellos. Posteriormente, a partir, pelo menos, de 1258, as Inquirições e os Censuais identificam-na sob o nome de Santo André de Mareces. Barcelinhos aparece aí como micro-topónimo: Item, dixit quod in Barcelinos pectant vocem et calumpniam ad forum de Barcelus . Num documento de escambo de 1459, entre o Conde Dom Afonso e o Arcebispo de Braga, que se arquiva in Rerum Mirabilium , Vol. III, P. 43, mantém-se ainda a designação de Santo André de Mareces. Nele se permuta o Padroado de Santo André Apóstolo e da de São Paio de Carvalhal pelos das igrejas de São Fins de Tamel e da Lapela, hoje lugar de Fonte Boa, e que foi freguesia até ao século XVI. No lugar de Lapela está agora a capela de N. Senhora da Graça, antiga igreja paroquial dessa extinta freguesia. A confirmar esta alteração, enumeramos mais algumas datas, segundo o Bispo Dom Pedro :1220, “De Sancto Andrea de Mareces” (Marecos); 1258, “In collatione Sancti Andree de Mareces; 1320, Ecclesia Sancti Andree de Moroces; 1371, Ecclesia Sancti Andree de Mareçes; 1400, Sant Andre de Marecos; 1528, Mareces S. Andre (anexa) a Barcelos. Mais tarde, certamente por influência do núcleo populacional que se desenvolveu junto à recém construída Ponte Medieval, a freguesia reassumiu o topónimo primitivo, embora no diminutivo: Santo André de Barcelinhos. A primeira referência conhecida data de 1606 que é também a data do 1º livro de Assentos de Baptismo que chegou até nós. O topónimo Mereces subsiste, atualmente, como lugar.

 

 

Lenda do Galo de Barcelos

 

Ao cruzeiro seiscentista que faz parte do espólio do Museu Arqueológico da cidade, anda associada a curiosa lenda do galo.

Segundo ela, os habitantes do burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não se ter descoberto o criminoso que o cometera.

Certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse a S. Tiago de Compostela em cumprimento duma promessa; que fosse fervoroso devoto do santo que em Compostela se venerava, assim como de S. Paulo e de Nossa Senhora. Por isso, foi condenado à forca.

Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa, exclamando: «É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem». Risos e comentários não se fizeram esperar, mas, pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.

O que parecia impossível, tornou-se, porém, realidade! Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Já ninguém duvidava das afirmações de inocência do condenado. O juiz corre à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. Imediatamente solto, foi mandado em paz. Passados anos, voltou a Barcelos e fez erguer o monumento em louvor à Virgem e a S. Tiago.